Carta ao Papa Francisco

José Antônio Pagola, ao escrever uma carta ao Papa Francisco, está nos dando muitas “luzes” sobre o chamado-vocação de anunciar a Boa Notícia de Jesus Cristo.

Uma bela reflexão para nos ajudar a avaliar a nossa própria vivência da VOCAÇÃO! Vejamos aqui alguns extratos.

Colaboração de Ir.Rosinha

José Antônio Pagola é padre e teólogo

José Antônio Pagola é padre e teólogo

Querido irmão Francisco:

Desde que foste eleito para ser a humilde ‘Rocha’ sobre a qual Jesus quer continuar construindo hoje sua Igreja, acompanhei com atenção tuas palavras. Agora, acabo de chegar de Roma, onde pude te ver abraçando crianças, bendizendo enfermos e inválidos e saudando a multidão.Papa Francisco

Dizem que és vizinho, simples, humilde, simpático… E não sei quantas coisas mais. Penso que há em você alguma coisa mais, muito mais.

Quase sem dar-nos conta, você está introduzindo no mundo a Boa Notícia de Jesus Cristo. Você está criando na Igreja um clima novo, mais evangélico e mais humano. Você está nos oferecendo o Espírito de Jesus Cristo. Pessoas afastadas da fé cristã me dizem que as ajudas a confiar mais na vida e na bondade do ser humano. Alguns que vivem sem um caminho para Deus me confessam que acordou em seu interior uma pequena luz que os convida a revisar sua atitude frente ao mistério último da existência.

Eu sei que na Igreja precisamos de reformas muito profundas…

Para que se possam realizar estas reformas, precisamos, previamente, de uma conversão num nível mais profundo e radical. Precisamos, sinceramente, voltar a Jesus, colocar as raízes de nosso cristianismo com mais verdade e mais fidelidade em sua pessoa, sua mensagem e seu projeto do Reino de Deus. Por isso, quero exprimir-te que é isso o que mais me atrai de seu serviço como Bispo de Roma neste começo de tua tarefa.

Eu te agradeço que abraces as crianças e as apertes ao teu peito… Segundo relatam os Evangelhos, Jesus chamou os doze, pôs uma criança no meio deles, apertou-a entre seus braços e lhes disse: “O que acolhe a uma criança como esta em meu nome, está acolhendo a mim.”

Tínhamos esquecido que no centro da Igreja, atraindo a atenção de todos, devem estar sempre os pequenos, os mais frágeis e vulneráveis. É importante que estejas entre nós como ‘Rocha’ sobre a qual Jesus constrói sua Igreja, porém é tão importante ou mais que estejas em nosso meio abraçando os pequenos e bendizendo aos enfermos e os que não têm valor, para nos lembrar como acolher a Jesus. Este gesto me parece decisivo nestes momentos em que o mundo corre o risco de se desumanizar criando incompreensão com os últimos.

Papa Francisco 2Eu te agradeço que nos chames de forma tão repetida a sair da Igreja para entrar na vida onde sofremos e nos alegramos, lutamos e trabalhamos: esse mundo onde Deus quer construir uma convivência mais humana, justa e solidária. Creio que a heresia mais grave e sutil que penetrou no cristianismo é de ter feito da Igreja o centro de tudo, afastando do horizonte o projeto do Reino de Deus.

… Agora desperta em mim uma alegria grande quando nos chamas a sair da ‘autorreferência’ para caminhar em direção às ‘periferias existenciais’.

… “Devemos construir pontes, não muros para defender a fé”; precisamos de “uma igreja de portas abertas, não de controladores da fé”; … Parece-me escutar a voz de Jesus que, do Vaticano, nos empurra: “Ide anunciar que o Reino de Deus está perto”, “ide e curai os enfermos”, “o que há recebido de graça, devolva-o de graça”.

Também te agradeço pelos teus apelos contínuos a converter-nos ao Evangelho… Surpreende-me tua liberdade em dar nomes aos nossos pecados. Não o fazes com linguagem de moralista, mas com a força do Evangelho: … Preocupa-te muito ‘um sal sem sabor’, ‘um sal que não sabe a nada’, e nos chamas a sermos discípulos que aprendem a viver com o estilo de Jesus.

Não nos chamas só a uma conversão individual. Empurra-nos a uma renovação eclesial, estrutural. Não estamos acostumados a escutar essa linguagem. Surdos ao chamado renovador do Vaticano II, esquecemos que Jesus convidava seus seguidores a ‘por o vinho novo em odres novos’. Por isso, me enche de esperança tua homilia da festa de Pentecostes: “A novidade nos dá sempre um pouco de medo porque nos sentimos mais seguros se temos tudo sob controle, se somos nós os que constroem, programamos e planificamos nossa vida segundo nossos esquemas, seguranças e gostos… Temos medo que Deus nos leve por caminhos novos, nos tire de nossos horizontes, muitas vezes bem limitados, fechados, egoístas, para abrir-nos aos seus”.

Por isso nos pedes que nos perguntemos sinceramente: “Estamos abertos às surpresas de Deus ou nos fechamos com medo às novidades do Espírito Santo? … Tua mensagem e teu espírito estão anunciando um futuro novo para a Igreja.

Francisco, és um presente de Deus. Obrigado!

Conversando sobre namoro

O namoro é uma etapa vocacional muito bonita e merece uma reflexão. Fica aqui, portanto, uma colaboração para vocês, jovens, neste nosso Blog Vocacional SCM. Desde já, aguardo a partilha de comentários… todos muito benvindos! (animavocacional@rscmb.com.br ) ou (jpic@rscmb.com.br )

Colaboração de Ir.Rosinha,RSCM  

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Viva com alegria!

Para refletir…

Nossa correria diária não nos deixa parar para perceber se o que temos já não é o suficiente para nossa vida. Preocupamos-nos muito em TER: ter isso, ter aquilo, comprar isso, comprar aquilo. Os anos vão passando, quando nos damos conta, esquecemos do mais importante que é VIVER e SER FELIZ! Muitas vezes para ser feliz não é preciso ter, o mais importante na vida é SER.

Animação Vocacional em Três Marias (8)

Ser presença, saber escutar e ser presença na vida do outro.  As pessoas precisam parar de correr atrás do Ter e começar a correr atrás do SER: ser amigo, ser amado, ser gente. Tenho certeza de que, quando somos, ficamos muito mais felizes do que quando temos. O ser leva uma vida para se conseguir e o ter muitas vezes conseguimos logo. O ser não se acaba nem se perde com o tempo, mas o ter pode terminar logo. O ser é eterno, o ter é passageiro. Mesmo que dure por muito tempo, pode não trazer a felicidade… E é aí que vem o vazio na vida das pessoas… Por isso, tente sempre SER e não ter. Assim você sentirá uma felicidade sem preço! Espero que você deixe de cobrar o que fez e o que não fez nos últimos anos e que você tente o mais importante: SER FELIZ.

Com carinho: Irmã Rosinéia, RSCM.